Um site desatualizado nem sempre é resultado de abandono, desleixo ou falta de cuidado.
Muitas vezes, nasce de uma coisa positiva: a empresa evoluiu.
Mudou a forma de trabalhar, ganhou novos clientes, tornou-se mais especializada, deixou de fazer certas coisas, passou a valorizar outras, descobriu segmentos mais rentáveis, afinou processos internos e construiu uma experiência que não existia quando o website foi criado.
O problema é que esta evolução, quando não é refletida no site, cria um desalinhamento digital.
A empresa real avança, mas a empresa publicada fica para trás.
O website continua a comunicar a empresa antiga
O primeiro sinal deste desalinhamento é o website continuar a comunicar uma empresa que já não existe da mesma forma.
Talvez os textos ainda estejam demasiado genéricos.
Talvez os serviços principais estejam mal hierarquizados.
Talvez o site dê destaque a áreas que já não são estratégicas.
Talvez a linguagem seja demasiado institucional para uma empresa que hoje precisa de ser mais comercial, ou demasiado comercial para uma organização que ganhou peso institucional.
Talvez as imagens, os exemplos, os casos, os argumentos e a própria estrutura do menu pertençam a uma fase anterior.
Nada disto significa necessariamente que o site esteja errado.
Significa que deixou de estar alinhado.
O desalinhamento digital prejudica a perceção de valor
Quando o site não acompanha a evolução da empresa, há uma perda de valor percebido.
A empresa pode ter ganho competência, maturidade e diferenciação, mas se o website continua a apresentar os serviços de forma superficial, o mercado não vê essa evolução.
E aquilo que o mercado não vê dificilmente valoriza.
Este problema é particularmente sensível em áreas de consultoria, serviços especializados, tecnologia, saúde, educação, indústria, turismo e negócios locais com elevada componente de confiança, porque o cliente procura sinais de experiência antes de contactar.
Se esses sinais não estão no website, a empresa depende demasiado da conversa posterior.
Mas nem todos chegam a essa conversa.
O SEO também fica preso ao passado
Um site desatualizado não prejudica apenas a imagem; prejudica também a visibilidade orgânica.
Se a empresa passou a trabalhar novas áreas, mas não criou páginas específicas sobre esses serviços, dificilmente aparecerá no Google para essas pesquisas.
Se os clientes usam termos diferentes dos que estão no website, há uma distância entre a procura real e a linguagem publicada.
Se os conteúdos antigos continuam a ser os únicos sinais de relevância, os motores de pesquisa podem associar o site a temas que já não são os mais importantes para o negócio.
A evolução do website é, por isso, também uma questão de SEO.
Não basta manter o site online.
É preciso garantir que a estrutura e os conteúdos acompanham os termos, as intenções e as necessidades que interessam ao negócio atual.
O desalinhamento aparece nas pequenas incoerências
Muitas vezes, o desalinhamento digital não está numa grande falha, mas num conjunto de pequenas incoerências:
- Uma página apresenta um serviço com uma designação antiga.
- Outra usa uma promessa comercial que já não é central.
- Uma terceira fala para um público que deixou de ser prioritário.
- A homepage destaca uma área que hoje tem pouco peso.
- O blog aborda temas dispersos.
- O menu cresceu sem lógica.
- As chamadas para ação não correspondem ao processo comercial atual.
- Cada elemento, isoladamente, pode parecer pouco grave, mas o conjunto cria uma sensação de falta de clareza.
E no digital, a falta de clareza transforma-se facilmente em perda de confiança.
A empresa precisa de rever o site com olhos de presente
Um exercício simples, mas muito útil, é olhar para o website como se tivesse sido escrito por alguém que não conhece a empresa de hoje.
- A homepage representa realmente o que a empresa é agora?
- Os serviços estão organizados de acordo com as prioridades atuais?
- Os textos explicam o valor real da oferta?
- Os casos, exemplos ou provas correspondem à experiência acumulada?
- As páginas ajudam o cliente a decidir?
- O site está preparado para as pesquisas que hoje interessam?
Se a resposta for negativa ou hesitante, não significa necessariamente que seja preciso refazer o website.
Significa que é preciso fazer evoluir o website.
A evolução do website deve ser gradual e intencional
A evolução de um website não precisa de ser uma revolução.
Pode começar por uma auditoria de conteúdos, uma reorganização de páginas, a revisão dos serviços principais, a criação de novas páginas para áreas estratégicas, a atualização de textos antigos e a melhoria das chamadas para ação.
O mais importante é que essa evolução seja intencional.
Não se trata de mexer no site por mexer, nem de publicar conteúdos sem critério, mas de aproximar progressivamente o website da empresa real.
Quando esta aproximação é feita com continuidade, o site deixa de parecer uma peça antiga e volta a funcionar como uma ferramenta atual.
Um site desatualizado é uma oportunidade escondida
Um site desatualizado pode parecer apenas um problema, mas também pode ser uma oportunidade.
Se a empresa evoluiu e o website ainda não reflete essa evolução, existe valor por recuperar.
Há experiência que pode ser comunicada, serviços que podem ganhar visibilidade, conteúdos que podem atrair pesquisas, mensagens que podem ser afinadas e páginas que podem apoiar melhor a conversão.
O trabalho não começa necessariamente do zero.
Começa por alinhar o que existe com aquilo que a empresa se tornou.
E esse alinhamento é, muitas vezes, o primeiro passo para voltar a transformar o website num ativo de negócio.