Quando um novo ano começa ficamos muito entusiasmados com a ideia de um novo começo (um dia destes tenho de me debruçar sobre as razões pelas quais ficamos tão felizes com a ideia de começar de novo!). Fazemos planos e resoluções de Ano Novo, tais como «Este ano vou ____» com toda a convicção que somos capazes de colocar nas palavras.
Mas o ano avança com grande velocidade e quando damos por isso aquele projeto que tínhamos em mente ou aquele objetivo que desejamos alcançar foi esquecido e, para nos reconfortarmos, acabamos por adiar para o ano seguinte. Dizemos que a culpa é de estarmos demasiado ocupados.
Hey! Eu sou mestre em adiar resoluções de Ano Novo, por isso, longe de mim soar a moralista ou acusador. Por isso, este ano opto por outra via. Antes de prometer qualquer tipo de resolução, vou fazer um apanhado do que foi o ano que passou, e desta lista, valorizar o que correu bem, refletir sobre o que posso fazer diferente e expressar o que me apoquenta.
O que tornou este ano inesquecível?
Esta é fácil. A conclusão do processo de adopção dos meus dois filhos. No aspecto familiar e pessoal este foi um ano absolutamente desafiador, pois, por muito que nos queiramos convencer previamente de que somos capazes de estar à altura desta circunstância, a verdade é que a realidade supera sempre qualquer projeção pessimista. Ainda assim, não troco esta experiência por nada.
Do que mais me orgulho?
Ter sido selecionado como orador para a WordCamp Lisboa 2017. Concorri sem nenhuma esperança e quando recebi a confirmação de que iria pisar aquele palco, fiquei verdadeiramente feliz. Ou melhor, o que me deixou mesmo feliz foi ter percebido pela reação da plateia que o tema lhes foi útil.
Também estou orgulhoso por me sentir cada vez mais liberto das redes sociais e do smartphone (sobre este tema vale a pena ler «Ultrapassando as distrações», que escrevi em setembro). O meu telemóvel passou a ter uma função mais básica, isto é, para fazer e receber chamadas e SMS, tirar fotografias e usar a internet quando necessito de uma informação no momento. Mas ainda não me sinto 100% liberto, muito por causa do uso que ainda tenho de fazer das redes sociais por motivos profissionais. Mas o caminho faz-se caminhando.
A quem estou grato?
Pode parecer cliché de discurso dos óscares, mas é a família que fica com o maior agradecimento.
Profissionalmente tenho de reconhecer a equipa com quem trabalho na Nova SBE, especialmente à Marta que nos lidera com tanta competência e dedicação. Foi um ano de grande amadurecimento profissional e estou confiante que me tornou mais apto para os desafios que se seguem.
Mas também tenho de estar grato a todos os leitores que me acompanharam ao longo do ano.
Projectos
Fico feliz por perceber que quinzenalmente dezenas de pessoas escutam o meu podcast «Freelancer Criativo». É dos projetos que mais satisfação me dá em pensar e produzir.
Confesso que gostaria de ter já completado os 12 almoços que planeei para o projeto «Criativos em hora de almoço». Vou a meio e estou com dificuldade em recrutar os próximos convidados. O que se passa com estes criativos que não querem um almoço de graça? Se trabalha / vive em Lisboa e deseja participar, escreva-me!
Para a Letras d’Ouro trabalhei na publicação de 3 livros novos, cujos projetos gráficos são da minha autoria.
Escrita
Escrevi 26 artigos em 2017. Ainda estou a aprender sobre a consistência do exercício da escrita e em como ter energia após um dia de trabalho para deitar cá para fora 1000 palavras.
Freelancing
Em termos de trabalho este não foi dos anos mais profícuos. E não me queixo. É sinal de que tenho sabido cumprir a resolução de 2016, de mudar a forma como trabalhava como freelancer. Melhor que ter muito trabalho é ter o trabalho certo, com o cliente certo. Por isso, se achar que sou o freelancer certo para si, sinta-se livre de me contactar!
O que me tirou o sono
Talvez porque já comece a sentir o cheiro dos 40 anos (estou quase lá), uma das preocupações que trago de 2017 para 2018 é a segurança financeira. Como poderei assegurar um futuro melhor?
Música
O meu álbum do ano foi o Bowie 70, o tributo a David Bowie prestado por um conjunto de talentosos artistas portugueses, com produção de David Fonseca.
Mas houve muitos outros artistas que tocaram insistentemente, como Earth Wind & Fire (que só descobri perto do fim do ano), Arcade Fire, Madi Diaz (cujo vinil foi o único que comprei este ano), Pentatonix, Mumford and Sons, The Black Kyes, só para citar alguns. Mas para perceber melhor as preferências musicais, pode sempre espreitar as minhas playlists temáticas.
Netflix
2017 foi um ano mais difícil para acompanhar o que se passa pelo reino da Netflix. Ainda assim segui até ao fim The Good Wife, Suits, House of Cards, The Black List, O Atirador, Better Call Saul, só para citar algumas. Desisti de ver «O sobrevivente designado», pois embora a premissa fosse boa, prefiro um presidente dos EUA mais à laia de Frank Underwood. E ficaram muitas a meio…
Livros
Este foi um mau ano para leituras. Se calhar, se a lista acima fosse menor, a dos livros seria maior. Mas li «Crime e Castigo» de Fyodor Dostoevsky e o último livro de Carlos Ruiz Zafón, um dos meus escritores favoritos, «O labirinto dos Espíritos». Para 2018, gostava de continuar a explorar autores clássicos.
Um desejo para 2018
Para 2018 desejo algo que pode parecer simples, mas que na essência é muito mais complicado de alcançar: desejo simplificar a minha vida. Só isto. Simplificar. Retirar tudo o que me rouba tempo, atenção e energia. Se for bem-sucedido, então o ano terá sido bem vivido!