Insights

Temos de gostar do nosso trabalho?

«Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.» Será mesmo assim?

Escrito com ❤️ a

21 de Abril, 2022

Uma das frases mais citadas que vemos por estas redes sociais fora é aquela que atribuem a Confúcio: «Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.» Será mesmo assim?

Então quando dizemos a quem nos rodeia que trabalhamos por conta-própria, ficam logo a pensar que acordamos todos os dias exultantes e cheios de energia para trabalhar, até mesmo à 2ª-feira…

Afinal, se trabalhamos por conta-própria é porque podemos escolher a nossa profissão e por isso devemos amar o que fazemos, certo? Por isso, visto de fora, o que fazemos não é propriamente trabalho.

As pessoas relacionam-se com o trabalho de múltiplas formas: como um meio de subsistência, uma necessidade, uma extensão de si mesmas, uma obrigação, um dever ético, uma paixão, uma forma de manter o corpo e a mente ocupados, um meio de auto-expressão, etc. São tudo razões válidas e em muitos casos vivem interligadas entre si.

Para ser completamente honesto, para mim trabalho é… isso mesmo, trabalho! A minha mulher vai discordar comigo, porque com frequência diz que se eu não trabalhar todos os dias, nem que seja por um par de horas, o meu humor fica insuportável. Mas na verdade, não é por não trabalhar, mas é sim, por sentir que estou a perder a oportunidade de materializar uma ideia. É esta ansiedade de pensar que poderia estar a fazer algo, naquele momento, e que se adiar já não serei capaz de o fazer.

É verdade que boa parte do meu trabalho é agradável e dá-me uma boa dose de sentido de realização; mas, é igualmente verdade, que em muitas situações é absolutamente stressante, deixando-me submerso em sentimentos de ansiedade, frustração e até obsessão enquanto não sou capaz de realizar uma tarefa, concretizar uma ideia ou sentir-me satisfeito com o resultado final.

E é também bastante aborrecido: responder a e-mails, pesquisar, redesenhar layouts porque ainda não estão como desejados, reescrever múltiplas vezes código porque ainda não faz exatamente o que é suposto ou tratar de burocracias; isto, só para dar alguns exemplos. Acredite, que se seguisse o conselho do Confúcio, então, há muito que já tinha desistido de trabalhar. Eu faço estas coisas porque fazem parte da profissão e até procuro ter algum prazer nelas, pois a quantidade de endorfinas largadas no cérebro depois de preencher com sucesso a declaração de IRS faz-me sentir muito bem…

O que quero dizer é que não é necessária paixão para a realização de um trabalho ou tarefa. Na minha perspetiva, o que é necessário é compromisso, empenho e sentido de propósito (entender que estou a fazer algo útil). A paixão, muitas vezes só chega no final, quando olhamos para o resultado.

Para finalizar: às vezes sinto-me algo culpado por não estar a trabalhar (especialmente quando vejo a minha mulher sair de casa de manhã e eu ainda fico a sentado no sofá), mas também me sinto culpado quando estou a trabalhar e penso que poderia estar com os meus filhos fora de casa a passear ou a brincar com eles. E é aqui que me questiono se existe mesmo o tal work-life balance ou se como diz a canção do Sérgio Godinho, isto anda tudo ligado.

Quer levar estas reflexões consigo?

You've Got M@il: reflexões sobre design, criatividade, carreira e negócios

Se gostou deste artigo, vai querer mergulhar em You’ve Got Mail. Este livro nasceu da vontade de reunir num só lugar as ideias e reflexões que tenho partilhado ao longo dos anos — sobre criatividade, tecnologia, estratégia, carreira e tudo o que acontece quando estas áreas se cruzam.

Mais do que uma compilação de textos, You’ve Got Mail é um convite à leitura com tempo: para sublinhar, repensar caminhos e voltar sempre que precisar de foco ou inspiração.

Outros artigos

O sucesso não é um destino, é uma viagem

É comum pensarmos no sucesso como destino, como fim de linha, como um estatuto que se alcança e que perdura para todo o sempre. O sucesso é o resultado de toda a viagem, pois são as escolhas que vamos fazendo para atingirmos os objetivos que desejamos ou que traçamos que nos possibilitarão continuarmos em frente, em andamento, ou estagnamos e ficamos bloqueados.

Continuar a ler

O potencial da Inteligência Artificial

De forma simples, desejo demonstrar o potencial da Inteligência Artificial, sem cair nos discursos apocalípticos à Exterminador Implacável. Já muito se avançou e muito mais há ainda para criar e desenvolver. Os próximos tempos serão desafiantes e entusiasmantes, e eu estou muito animado com o que o futuro reserva!

Continuar a ler