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Trocar a burocracia pela empatia

Nenhuma empresa ou serviço público resulta se não refletir a vida, o contexto e as realidades das pessoas que servem – e isso exige que essas empresas e serviços públicos compreendam e respeitem os valores e as experiências subjacentes a essas realidades.

Escrito com ❤️ a

21 de Abril, 2022

Há uma frase popular que escutamos com frequência que diz: «só quando passamos por isso é que compreendemos as dificuldades ou o sofrimento».

Seja uma relação com uma empresa ou com um serviço público, ela tem de assentar na empatia para com as pessoas e as suas necessidades. Nenhuma empresa ou serviço público resulta se não refletir a vida, o contexto e as realidades das pessoas que servem – e isso exige que essas empresas e serviços públicos compreendam e respeitem os valores e as experiências subjacentes a essas realidades. É por isso que a empatia é um ingrediente crucial no desenvolvimento de um qualquer negócio ou serviço público de confiança.

Empatia implica a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro para compreendermos a sua realidade, conhecimento ou contexto. A empatia genuína está ao serviço da causa do problema e na dedicação da sua resolução. Para tal, tomamos o problema da outra pessoa como nosso: e sendo um problema nosso conseguimos entender a causa, o sofrimento, a angústia.

É sempre injusto fazer generalizações, mas sinto que há uma enorme falta de empatia nas organizações privadas e públicas. Parece que todas estão alicerçadas na burocracia e não na empatia. O importante é que os procedimentos sejam cumpridos e não que os problemas sejam resolvidos. O que vale é fazer como mandam as regras mesmo que as regras não levem a lado nenhum. Não estou a defender que não existam regras ou leis; estou sim a defender que essas regras e leis têm de ser concebidas a pensar nas pessoas.

Nunca como hoje é preciso colocar as pessoas no centro. No centro de tudo! Os negócios, os produtos, os serviços, as leis têm de ser concebidos estando as pessoas no centro, como prioridade, como a razão principal. Para tal, na minha opinião, é preciso seguir três princípios:

Reconhecer a exceção. Quando olhamos com empatia para um problema, reconhecemos que nem sempre uma solução-que-serve-a-todos é exequível. Reconhecer isso não só abre os produtos e serviços a mais pessoas, como também reflete como as pessoas realmente são: diversas. É por isso que a velha lei de Henri Ford já não se aplica mais: «O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto.»

Resolver para um, estender para muitos. É necessário aprender com as experiências individuais. Tal como iniciei este texto, as empresas e organizações têm de ser capazes de escutar os seus clientes individualmente e aprender com as suas experiências. É preciso criar essa capacidade e valorizar essas opiniões.

Aprender com a diversidade. Eu compreendo que o conceito da diversidade pode ser um verdadeiro pesadelo de gestão. É por isso que a gestão tem de ser mais inteligente, mais cuidadosa, mais atenta e com horizontes mais alargados para ser capaz de assimilar todas as áreas críticas do negócio, produto e organização. É por isso tão importante reunir dados e trabalhá-los. É por isso tão importante acompanhar e conhecer o cliente de perto para se anularem barreiras e frustrações.

Olhar para os problemas das pessoas com empatia é alargar os horizontes para além daquilo que são as nossas experiências ou conhecimento individual. Pois, se usamos somente as nossas próprias capacidades, conhecimento e experiência como base, tornamos as coisas que são fáceis ou funcionais para algumas pessoas, mas difíceis para todos os outros.

O autor

Pedro Miguel Martins presta serviços independentes de strategic design & digital praxis para organizações que precisam de manter os seus websites, plataformas digitais e decisões tecnológicas alinhados com a evolução real do negócio.

A sua prática combina consultoria, design, desenvolvimento e implementação em WordPress e WooCommerce, ajudando empresas e instituições a transformar decisões, necessidades operacionais e objetivos de comunicação em soluções digitais concretas, coerentes e sustentáveis.

O foco está na continuidade: perceber o que o website deve fazer, corrigir o que deixou de acompanhar a organização e garantir que a presença digital não fica dependente de intervenções pontuais, dispersas ou sem responsabilidade clara.

A proposta de valor assenta numa colaboração direta, com responsabilidade integral, visão estratégica e um único ponto de contacto ao longo de todo o processo.

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