A minha participação no ENEG 2025: primeiros passos, aprendizagens e o futuro da relação digital com o cliente da água

Um ambiente único — técnico, mas profundamente colaborativo; competitivo, mas simultaneamente aberto à partilha; e, acima de tudo, cheio de pessoas que acreditam verdadeiramente na sustentabilidade, na gestão eficiente dos recursos e na transformação digital do setor.

Escrito com ❤️ a

20 de Novembro, 2025

Esta semana (17-20 Novembro de 2025) participei pela primeira vez no ENEG – Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento, organizado pela APDA. Apesar de já trabalhar há vários anos com entidades gestoras e projetos digitais no setor da água, nunca tinha assistido ao evento presencialmente.

O que descobri foi um ambiente único — técnico, mas profundamente colaborativo; competitivo, mas simultaneamente aberto à partilha; e, acima de tudo, cheio de pessoas que acreditam verdadeiramente na sustentabilidade, na gestão eficiente dos recursos e na transformação digital do setor.

A exposição: um ecossistema cheio de oportunidades

A área de exposição surpreendeu-me pela diversidade de empresas e soluções. Desde fabricantes de contadores inteligentes, plataformas analíticas, automação, georreferenciação, SIG, equipamentos de deteção de fugas, sistemas de monitorização da qualidade da água, até empresas especializadas em comunicação com clientes — havia de tudo.

Este ambiente permitiu-me estabelecer contactos muito relevantes para divulgar o WINOO AQUA PLUS, a plataforma que desenvolvo e que está a evoluir de maneira muito sólida: dashboards de telemetria, alertas inteligentes, indicadores ambientais, estimativas de pegada, projeções de consumo, relatórios automáticos e toda a camada de comunicação digital que aproxima clientes e entidades gestoras.

Ficou claro que existe espaço — e necessidade — para soluções que combinem design, tecnologia e literacia digital, colocando o cliente no centro da estratégia de comunicação e sustentabilidade.

A minha apresentação: dados, comportamento e confiança

A sessão decorreu numa sala composta e muito atenta. O tema que apresentei: “Acesso a dados de consumo de água: mudança comportamental do cliente e notoriedade empresarial.”

O objetivo era mostrar que a telemetria não é apenas um avanço tecnológico — é uma mudança cultural no relacionamento entre entidades gestoras e consumidores.

O que apresentei em síntese:

1. A informação transforma o comportamento

Mostrei evidência sólida, nacional e internacional, de que quando o consumidor tem acesso a dados claros e frequentes sobre o seu consumo — seja via app, portal ou alertas — adota hábitos mais eficientes.
Vimos reduções reais entre 5% e 15%, com casos como Valência, Austrália e Califórnia a demonstrar que:

  • a literacia do consumo aumenta,

  • as pessoas ganham consciência dos seus hábitos,

  • e pequenos ajustes somados geram poupanças significativas a nível coletivo.

2. A deteção precoce de fugas é um benefício imediato

Apresentei os dados concretos da experiência da Águas da Figueira, onde a plataforma Conta-gotas® já gerou mais de 80 000 alertas automáticos desde 2019 — fugas que não evoluíram para faturas altas nem desperdiçaram milhares de litros.

Mostrei que estes sistemas são, acima de tudo, instrumentos de proximidade e proteção: a entidade atua antes que o cliente tenha sequer consciência do problema.

3. A transparência reforça a confiança

Partilhei estudos internacionais que provam que a confiança nas utilities cresce com:

  • comunicação clara,

  • portais acessíveis,

  • e feedback útil e orientado à ação.

Em setores onde a relação é tradicionalmente distante, a telemetria cria uma oportunidade de renovação: a empresa passa de fornecedora a parceira do cliente.

4. Os desafios existem — e não devem ser ignorados

Falei abertamente dos obstáculos:

  • literacia digital desigual,

  • excesso de informação técnica,

  • risco de perda de interesse com o tempo,

  • privacidade e proteção de dados,

  • disparidade tecnológica entre contadores e fabricantes.

E defendi que nenhum destes desafios se resolve apenas com tecnologia — resolve-se com design, comunicação, apoio e estratégia.

O que trouxe da experiência

A participação no ENEG reforçou a minha convicção de que o futuro do setor da água passa inevitavelmente por três eixos:

  1. dados acessíveis

  2. interação digital humanizada

  3. participação ativa do consumidor

E isso é exatamente o que tenho procurado desenvolver com o WINOO AQUA PLUS: uma ferramenta que, além de dashboards e alertas, cria uma relação contínua entre pessoa e empresa — uma relação que educa, previne e gera confiança.

Quer receber o paper completo?

O paper apresentado reúne:

  • evidência científica,

  • casos de estudo nacionais e internacionais,

  • análises da experiência da Águas da Figueira,

  • e uma discussão sobre desafios, estratégia e reputação no setor da água.

💬 Se quiser receber o paper completo, escreva-me para pedro.martins@winoo.pt que terei todo o gosto em enviar-lhe.

Quer levar estas reflexões consigo?

You've Got M@il: reflexões sobre design, criatividade, carreira e negócios

Se gostou deste artigo, vai querer mergulhar em You’ve Got Mail. Este livro nasceu da vontade de reunir num só lugar as ideias e reflexões que tenho partilhado ao longo dos anos — sobre criatividade, tecnologia, estratégia, carreira e tudo o que acontece quando estas áreas se cruzam.

Mais do que uma compilação de textos, You’ve Got Mail é um convite à leitura com tempo: para sublinhar, repensar caminhos e voltar sempre que precisar de foco ou inspiração.

Outros artigos